Emergência e Tempo. Ou: Feliz Ano Novo!

2020 foi um ano difícil para todos nós. Momentos difíceis geram emoções difíceis, é inevitável. Diante dessa grande incógnita que tem sido a pandemia, as emoções chegaram vestidas de ansiedade, medo, tédio, frustração, perda, solidão e uma insuportável vulnerabilidade.


Chegar ao final de um ano como esse e pensar em festejar não é tarefa trivial. Por outro lado, como não celebrar tudo o que tivemos que aprender no decorrer desses meses? Tivemos oportunidade, inclusive, de estarmos, a essa altura, muito mais bem equipados para lidar com o que ainda temos pela frente antes de vermos esse vírus efetivamente controlado.


Mas o que é mesmo que temos pela frente? Para além de um 2021 que se anuncia bastante semelhante a 2020, pelo menos nos primeiros meses, parece que o que esse ano nos ensinou mais efetivamente foi que a única constante é a incerteza.


Queremos apostar num futuro melhor, é verdade. E para isso esse calendário que criamos em nossa narrativa cultural é perfeito: nos dá a sensação de que algo acaba e algo novo tem início. É apenas um dia após o outro, mas poder dizer que começa um novo ano nos enche de esperança e é como se coisas novas necessariamente viessem junto. Coisas positivas, certamente.


Bonita essa nossa capacidade de acreditar no futuro!! Gosto muito dessa nossa característica! É tão humana que acaba nos levando para uma imagem de segurança, tal a nossa necessidade de vivenciá-la. Mais uma vez aqui nos esquecemos de aprender com a natureza. Não há segurança na natureza, nos ensina Helen Keller; por que haveria de haver na nossa existência? Mas seguimos acreditando...


Talvez não consigamos deixar de buscar certezas e portos seguros. E está bem assim. Mas, então, como olhar para um futuro próximo tão incerto sem acabarmos paralisados, anestesiados ou, até mesmo, negando o que vivemos, de tanto medo? Com o que podemos nos comprometer para esse ano de 2021, diante da evidência de tanto desconhecido?


Para além dos fatos da vida existem dois movimentos que, incondicionalmente, podemos escolher fazer: um para dentro e outro para fora.

Para dentro, podemos escolher nos aprofundar em nosso autoconhecimento. Por meio dele elevo meu domínio sobre minhas emoções, me transformo em uma pessoa mais consciente, assumo posturas mais maduras, aprendo sobre a aceitação, desenvolvo flexibilidade, fico mais em paz comigo mesma.


Para fora, podemos escolher sermos seres humanos mais úteis à humanidade. Nesse caminho desenvolvo a empatia, provoco sorrisos, espalho generosidade, inspiro outras pessoas, vivencio a gratidão.


Não temos respostas a respeito do futuro, temos indícios de possibilidades. Mas o que quer que ele nos reserve, temos nossas escolhas e sempre poderemos escolher aprender.

Que em 2021 você se conecte com o que realmente importa e desenvolva, a cada dia, sua mais valiosa percepção do tempo. Porque diferente daquilo que você escutou quando lhe disseram que tempo é dinheiro, tempo é vida!! 2020 nos mostrou isso a cada dia.


E parece que, ao final, viver trata-se simplesmente de escolher o que vamos fazer com esse tal de tempo... E, acima de tudo, de como vamos fazê-lo. Dar mais significado ao nosso tempo e, portanto, à nossa vida, está em nossas mãos.


SÔNIA BRAGA

9 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo